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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Divisão histórica surpreende comunidade internacional

  O continente africano vai passar a ter mais um país a partir de julho. A criação do Sudão do Sul é resultado do referendo realizado em janeiro. O resultado oficial divulgado ontem, segunda (dia 7), indica que quase 99% dos votos da população do Sul foram pela independência. O Sudão é o maior país da África.





  O primeiro Vice-Presidente da República e Presidente do Sudão Sul, Salva Kiir, participou no Conselho de Ministros que decorreu em Cartum.
"As fronteiras subsistem no papel, mas no terreno não penso que será possível restringir a circulação das pessoas e bens ", declarou Kirr durante a reunião.
"Esta separação vai conduzir a uma unidade mais forte no futuro se cada povo escolher voltar para o outro ", acrescentou.
 Afirmou que vai trabalhar com o Governo do Norte para vender não só a nova imagem do novo Sudão, mas igualmente para o levantamento das sanções impostas a este país, a retirada do Sudão da lista dos países que apoiam o terrorismo.
 A separação do sul do Sudão trará amplas consequências para o futuro da economia de todo o Sudão. Afinal, o norte e o sul ainda são interdependentes economicamente. A maior reserva de petróleo está no sul, por outro lado, é o norte que abriga as refinarias, o gasoduto e o porto para escoar o produto. 

Com a independência do sul, que abriga em seu solo 70% do petróleo, o norte teme perder a receita proveniente da exploração da matéria-prima. Esse dinheiro representa atualmente a metade do orçamento do Sudão e até 90% da entrada de divisas estrangeiras através da exportação. 
Por enquanto, ainda vigora o acordo de paz assinado entre o norte e o sul depois do fim da guerra civil. O acordo estipula que cada uma das regiões tem direito à metade dos ganhos provenientes da exploração do petróleo.

 Para Abda Al Mahdi, diretora da empresa de consultoria Unicons, em Cartum, e ex-ministra sudanesa das Finanças, ambos os lados continuam interessados numa divisão amigável das receitas – o norte precisa do petróleo, e o sul da infraestrutura. A construção de um gasoduto alternativo passando pelo Quênia sairia muito caro para o sul, e levaria pelo menos três anos até ser concluído.

Por esses motivos, Al Mahdi defende que "um tratado de divisão dos rendimentos depois da separação é imprescindível. E, caso isso não seja possível, seria uma alternativa ruim, pois poderia levar a uma guerra."

 Ao contrário do governo em Cartum, o sul do Sudão tem pouco a perder, já que a região também foi bastante negligenciada no passado. O sul ainda sofre com os efeitos da guerra civil: quase não há ruas asfaltadas, as escolas e hospitais estão em más condições, a infraestrutura é precária e falta mão-de-obra qualificada. 
 Ainda assim, Manfred van Eckart, da Sociedade Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), acredita que o sul do Sudão possui condições favoráveis. "O sul do Sudão dispõe de muita matéria-prima e, além do petróleo, existem muitas reservas minerais ainda desconhecidas."
 Além disso, há um grande potencial agrícola. Portanto, não há obstáculos para o desenvolvimento do sul do Sudão, desde que o novo país invista sua receita com responsabilidade e com vista ao progresso.
 Através do apoio dos Estados Unidos, o primeiro passo para a independência foi bem-sucedido: a criação de uma instituição financeira para o sul do Sudão. O Banco de Juba tem agora seu próprio código bancário internacional. Isso possibilita que investidores estrangeiros efetuem transações financeiras no sul do Sudão, sem ter que passar pelos bancos de Cartum.
 Apesar de a separação trazer desvantagens para o norte, há também vozes otimistas. Para o especialista Adel Abdelaziz, a divisão também pode ser uma chance para os dois países utilizarem melhor as suas riquezas – sozinhos ou como parceiros econômicos.

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